Fantasia
Herda minh’alma o cálice ébrio da dor suprema, de olvidar no peito que desacelerado bate o tempo, digerindo como gota a gota o lamento, de esquecer a vida que por hora arredonda a morte extrema, levai meus olhos ao sonho vaga poesia, encoste em teu ombro minha cabeça fria, já intensamente imploro a compaixão de tua moradia, suave colo perfumado que vista o sereno ardor da morte anunciada, viva em mim proêmio lascinante hora, defendo das tristes vias a coroa, dependo de existir em tua majestade, longa vida ornai a potestate, esmague a tristeza que de mim se anuncia, proteja solicitamente minhas feridas para que não sangrem com tanta desvida, longa flor cortina que desnorteia vinga-te daquele que em indigna veste cria-te inócua foz nas mais horrendas falta de arte, erguei a cabeça tu que me deixais sozinho por hora, na inglória face da morte senhora, que meus dedicados lamentos não ouviram!

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