Da melancolia
Eu vejo meu mundo pelo meu descontentamento, vejo tudo como se nada fosse, vejo as flores, as horas e os ventos, como se não pudessem ser outra coisa que dores, dores altas, coloridas e fugidias, que somente em tudo se acolhessem, mesmo que as horas me prediquem, não sou eu quem a vê nem me vejo, mesmo que meus olhos consumam, nem que as veias de meus cílios destilem o meu desarmar é necessário, não é tristeza que d’aurora do riso parte em fuga, não é a desordem que de mim parte que me mim se faz rua para que passe que meus passos letárgicos, a vida morde, e por si é o talho que nem adianta, porque verterá sangue, como num quadro impuro se sai em ares que nada pode nem em nada surge!
Eustáquio José (Lord Eustaquius).
